Faz frio aqui. Não sei se tenho febre, ou se de repente a temperatura caiu.
A vida perdeu a graça.
Essa clausura, essa falta. Dói.
As cores perderam seu som – andam mudas, vazias.
Os rostos, sem expressão. Tão mortos, apagados.
As músicas não têm mais acordes, são letras, levitando no vácuo.
Parece que todo mundo lá fora resolveu sair pra viver ao mesmo tempo, enquanto eu fico aqui. Sozinha.
Sinto falta dos meus amigos. Sinto falta das piadas, das risadas. A vida era boa.
É como se tudo tivesse morrido assim, de uma hora pra outra. Sem aviso prévio.
Restaram as fotos, as lembranças em sépia.
As mariposas no meu estômago voaram pra longe; A minha única companhia em anos.
As palavras perderam o sentido, como se fossem escritas em um idioma que eu não falo.
A vida, como encerrasse um ciclo. Como se chegasse ao fim outra vez, e tudo parece distante, assim como está.
A esperança morreu. Levou consigo a ansiedade por um novo sol. Levou consigo minha luz. Meu ar. E me largara aqui.
