À la Virginia Woolf

Mas não quero isso pra mim, não. Reluto em crescer em meio ao caos, por mais que me sinta confortável no desaconchego. Não quero procurar pela aprovação de alguém que não existe nem nunca existiu. Reluto mais um pouco em perceber que já cresci no meio do desalinho e que não há muito mar além do horizonte. Vem a preguiça, vem a dificuldade em me manter pelo menos remando. Fico num ser-não-ser manipulado por quem finge que está remando do meu lado, mas só está me observando cansar com uma chama de alegria mórbida e injusta. Tão injusta tão injusta. Quem seria? Nem eu sei. Meus tripulantes são tão efêmeros quanto minha estada em terra firme. Vou aproveitando algumas coisas esquecidas por turistas, limpando a sujeira que os mal educados deixam e atracando em portos alheios eventualmente. Titubeio algumas leis e regras onde o governo é anarquista e as casas são albergues. Continuo navegando enquanto a Índia prometida não aparece e enquanto os piratas não me encontram. Uma hora jogo a âncora ou umas pedras e aporto meu barquinho.



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