Crônicas de quinta(no sábado)

O relógio bateu exatamente às 9h. Os corredores viraram um verdadeiro inferno, minha cabeça explodia e a esta altura eu só precisava de um bom descanso. Noite passada mergulhei nos livros e faz tempo que não sei o que é dormir. Fui levada até o auditório pelos esbarrões dos meninos do basquete. Meu corpo estava tão leve que até o vento derrubava-me. Entrei naquele lugar escuro, as cortinas estavam fechadas e nem um feixe de luz podia ser encontrado. Sentei-me na última carteira e sem ao menos perceber meu corpo já estava totalmente jogado na parede. A gritaria continuava, mas o cansaço não deixou isto incomodar-me. Passou-se cinco minutos e eu já estava sonhando com a minha cama quente. Desejava sumi daquele local e orava para que aquele palestrante faltasse.
-Olá. - A voz despertou-me. Abri os olhos e pude enxergar um homem alto, muito bem vestido. Com as mãos sobre a mesa, encarando-nos com um olhar bem agradável e um sorriso que soava cínico. Limpei meus olhos e em poucos segundos o homem estava em minha frente, olhando-me de cima a baixo com o mesmo sorriso nos lábios
— Cansada, querida?!

— Um pouco. - O respondi. Ainda espantada com a situação

— Acorde ou saia. - Ele disse, agora com um tom de voz desafiador. Arrumei minha coluna, prendi meu cabelo ao alto e sorri para ele demonstrando está satisfeita com aquele desafio e ele sem ao menos falar mais alguma coisa virou-se e voltou para o seu lugar. Riscou a lousa e distribuiu alguns papéis e perguntas.

— Quero que me respondam com a mais possível sinceridade e não precisaram assinar o nome. - Ele disse enquanto olhava-nos com um sorriso cafajeste. Não entendia o porquê de tantos sorrisos. Não entendia o porquê daquilo se era apenas uma palestra sobre sociopata. Ele era estranho, mas por um momento esqueci aquilo e fiz o que mandou. Entregamos as atividades e então entregou-nos outra folha, porém desta vez estava branca e apenas fez a seguinte pergunta:

— Acham que dentro desta sala há algum psicopata? - Minhas mãos ficaram trêmulas na hora e meu olhar não se desviava do dele. O medo subiu em meu corpo, mas não por ele achar que havia um, mas sim pelo modo que ele perguntou. O riso transparecia em seu olhar. Eu cursava medicina, mas entendia um pouco sobre assunto e como reconhecer um pouco deles. Nesta hora meu olhar já estava para a turma inteira e no final parado nele. Olhei para o papel e sem pensar duas vezes respondi que sim. Tive certeza que existia um ali e um dos piores gêneros. Os que sabiam perfeitamente quem eram. A moça recolheu todos os papéis e o entregou. Ele ficou por uns 10 minutos analisando e só havia um sim O meu!

— Interessante. Só uma pessoa disse sim. Gostaria de se manifestar? - Ele perguntou, com um tom de jogo. De estratégia. De satisfação. Nesse momento não sabia o que fazer. Os alunos se olhavam discretamente e eu tentei fazer o mesmo. Não queria que ele descobrisse que era eu. Parecia que pesquisava em cada um de nós alguma coisa. Pensei em levantar e sair-me, mas senti que ele iria saber que era eu. Então comecei a encará-lo, mas logo abaixei a cabeça. Estava explodindo por dentro, quase morrendo. O medo me matava e gritei, mas foi um grito bem alto. Era o; O susto entregou-me. Todos os alunos levantaram e saíram rindo, com certeza devia ser por conta do meu grito. Ele passeou calmamente até minha carteira. Parou em frente a ela e inclinou-se até encostar seus lábios em minha orelha.

— Sabia que psicopatas não tem sentimentos e muito menos consciência, pequena? Pelo menos é isso que a Ana Beatriz Barbosa diz a respeito. Eles são ruins e não sentem compaixão ou pena. Matam e sentem prazer. Um prazer indescritível. Um prazer que uma puta não pode dá-lo. Um prazer que essa sua pele talvez me de. -Deslizava seus dedos ásperos sobre minha pele enquanto sussurrava. - O empurrei, com força. Com muita força e agora estou aqui. Preciso do meu remédio, Dra. Roberta.

— Calma Andressa. Isto irá passar e nossas sessões irão continuar. Não adianta se alimentar de drogas. O que houve com você foi algo destruidor, mas você irá se recuperar e este homem nunca mais irá encostar em você. Olha onde estamos. - Roberta abriu a janela e a Andressa pode avistar um mar de sangue que a sugava para fora.

— Andressa? Andressa? Fale comigo. Está bem? - Roberta empurrava o corpo da jovem que estava deitada sobre uma poltrona bem confortável naquele consultório psiquiátrico.

— Andressa? O que houve? Eu já trouxe seu café. Podemos conversar agora.


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  1. postato da cappuccinomorangos


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